Recuperado testemundo de um prisioneiro em Auschwitz

O texto foi descoberto em 1980, num elevado estado de degradação foi, agora, recuperado entre 85 e 90%.


Uma mensagem deixada em 1944 por um prisioneiro de Auschwitz foi recuperada na íntegra. O texto é de Marcer Nadjari, na qual relata o horror nazi onde se reduzia "um ser humano a 640 graus de cinzas".

Um ano antes da sua libertação do complexo nazi em Auschwitz, Nadjari escreveu um testemunho guardando numa garrafa e enterrando numa floresta perto do complexo.

A mensagem ao ser encontrada, em 1980, só cerca de 15% permanecia visivel. No entanto, 4 décadas depois, um grupo de cientistas, conseguiu recuperar entre 85 a 90% da mensagem, como relata o jornal Deutsche Well.

"Todos aqui sofremos coisas que a mente humana não pode imaginar", escreveu, dando um exemplo: "Debaixo de um jardim, há dois quartos subterrâneos no porão: um serve para despir os prisioneiros, o outro é uma câmara de morte. As pessoas entram nuas e, quando o espaço está cheio, com cerca de 3000 pessoas, é fechado e todos são asfixiados com gás".

Marcer Nadjari foi um dos militares de prisioneiros forçados a trabalhar nos 'sonderkommandos', que tinha como uma das funções limpar o crematório.



"Depois de meia hora, tínhamos que abrir as portas e o nosso trabalho começava. Os corpos eram levados para os fornos dos crematórios, onde um ser humano ficava reduzido a 640 gramas de cinzas", pode ler-se no documento.

No documento, o prisioneiro descreve como os seus colegas eram colocados como "sardinhas", assim que eram "enfiados" nas câmaras de gás pelos guardas alemães.

"Se lerem aquilo que fizemos, vão questionar como foi possível enterrar os nossos amigos judeus. Isso foi o que eu pensei ao início e penso muitas vezes", confessou o prisioneiro, um dos poucos a ser libertado pelo Exercito Vermelho.

Nascido em 1917, Marcel Nadjari vivia em Tessalónica e foi deportado para o campo do terror em 1944. Depois da guerra, e sobrevivendo ao campo de concentração, regressou à Grécia e em 1951 emigrou para os EUA, onde acabaria por morrer em 1971, com 54 anos.

Dos cinco prisioneiros que deixaram cartas no campo de concentração, o grego foi o único que falou abertamente sobre vingança."Não estou triste se morrer, mas porque não serei capaz de me vingar como queria", escreveu.







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