Entrevista | António Raminhos


António Raminhos, conhecido pela sua participação no 5 Para a Meia-Noite, confessa que gostava de apresentar o talk-show da RTP1. Locutor na RFM e comediante, o próprio está feliz com o seu novo projecto na estação pública, revelando que será "muito engraçado, original e que o vai colocar à prova".  Além disso, Raminhos andará pelos palcos a apresentar o seu novo espectáculo 'O Melhor do Pior'.



Chegou a ser jornalista. Achou que era uma posição séria era para si?

Não tanto por isso! Eu gostava e divertia-me bastante quer na redacção com os camaradas, quer a escrever os textos. Entrar no humor foi um golpe de sorte ou destino ou acaso. Foi graças ao fantástico mundo do desemprego.

Alguma vez pensou voltar a ser jornalista se o humor não corresse bem?
Nunca! Jamais! Quando comecei a fazer stand-up ainda fiz algumas coisas no jornalismo, mas é um mundo onde o jornalista é pouco valorizado. Está ali para preencher o espaço entre a publicidade.

Então e quando começou a sentir que o humor era parte da sua vocação? 
Ainda estou para ver se é vocação. Eu costumo dizer que me sinto apenas um individuo que é parvo e tem a sorte de ter gente que alinha nessa parvoíce.

(Créditos: Facebook António Raminhos)

Como definiria o seu tipo de humor?
Parvo, nonsense. Acho que muitas vezes o que me define é a falta de vergonha para dizer aquilo que muita gente pensa... sobretudo pais.

Qual a situação mais hilariante que já teve com um fã?
Uiii já me aconteceu virem ter comigo e dizer assim “então parabéns! Mais uma criança!” E eu “sim, mas já fui pai há uns tempos, mas obrigado!” “então não foi pai agora?” e eu “não” então o senhor mostra a revista que tinha na mão e era uma revista em que a notícia era “Bruno Nogueira foi pai”.

Para si, que características deve ter um bom humorista?
Manter-se fiel ao que é. Ou seja, se as pessoas gostam de mim fora de palco por determinadas características são essas que tenho de levar para palco. E manter-se original. Hoje fala-se muito de plágio, mas o que pode acontecer muitas vezes é que os comediantes funcionam no mesmo registo e então podem surgir ideias parecidas. Já me aconteceu eu pensar numa piada e achar que já alguém a fez e ando a chatear meio mundo para ver se conhecem.

(Créditos: Facebook António Raminhos)

Quais as suas fontes de inspiração?
Tenho humoristas que admiro, mas a inspiração muitas vezes é mesmo o absurdo da minha vida ou penso: “ok... e se isto em vez de ser assim fosse assim?”

Costuma rir-se daquilo que escreve? 
Geralmente as coisas com que rio são as que depois as pessoas acham menos piada! Já me aconteceu achar “eh pá isto vai ser muito bom” e depois a reacção não é a que espero.

O espetáculo "As Marias" utiliza vídeos das brincadeiras que tem no dia-a-dia com as suas duas filhas. Como surgiu a ideia?
Basicamente vou ter que pagar as contas das miúdas até aos 18, pelo menos. Por isso pensei como é que elas podem contribuir! Na verdade, pensei num modelo quase de palestra motivacional ou desmotivacional para quem quer ser pai ou não ser! 


(Créditos: Facebook António Raminhos)

Como reage às criticas nas redes sociais, onde partilha as peripécias das suas filhas?
Antes ficava muito mais incomodado. Agora já não ligo tanto e sobretudo tenho que respeitar mais quem admira o meu trabalho. Recebo muitas mensagens de pessoas que agradecem os videos e as fotos que faço com as miúdas porque se revêem nisso ou porque gostariam de ter tido a mesma relação com os próprios pais.

Muita gente gostaria de o ver a apresentar o 5 Para a Meia-Noite. Sentia-se à vontade neste registo?
Sim. Tive uma vez essa experiência e correu bem. Era algo que me via a fazer, mas para já vou ter outra experiência na RTP1 que deverá ser muito gira!

Faz rádio, televisão, palco, onde se sente mais confortável?
Em lado nenhum! Fico stressado em todos, mas em palco é onde posso e digo tudo! Talvez aí esteja mais à vontade. Mas eu e o Luís Filipe Borges chegámos a conclusão que fazemos isto pelo alívio no fim! Eu começo a atuar e só penso “ahhh quando acabar é que vai ser bom”. Podia saltar logo para essa parte.

O mundo do humor é competitivo?
Acho que só há duas coisas que podem destruir o mundo: o armamento nuclear do Kim Jong-Un e juntar o ego de vinte humoristas. Jantares só com humoristas é toda a gente a ver quem conta mais piadas. Obviamente estou a brincar! :)

O que tem reservado para o futuro?
Para além de estar com o espectáculo novo O Melhor do Pior que vai ter muitas datas e tem corrido bem sempre com salas cheias, tenho esse novo programa da RTP1 que vai ser muito engraçado, original e me vai colocar à prova. Aliás, vai deixar muita gente a pensar!



'MAIS NOTÍCIAS' ENTREVISTA - Edição 9
Convidado: António Raminhos
Entrevistador: Tiago Ferreira
Produção: Tiago Ferreira
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